Ü-Tsang: Tibete da Frente e Tibete de Trás

Ü-Tsang é composto por dois conceitos regionais: “Ü” e “Tsang”. Ü refere-se à área em torno do Vale do Rio Lhasa, estendendo-se a leste até a Montanha Hengdala (nome antigo) e a oeste até a Montanha Gangbala, referindo-se a Lhasa e Shannan, onde o Império Tibetano se originou e se desenvolveu, também chamado de Tibete da Frente; Tsang refere-se à região de Shigatse, estendendo-se a oeste da Montanha Gangbala até a fronteira com o Nepal, também chamado de Tibete de Trás.

Ü-Tsang é o berço da civilização tibetana, servindo não apenas como um centro religioso e cultural, mas também historicamente como o núcleo político e económico do Tibete. Durante as dinastias Yuan e Ming, era chamado de U-Tsang. Durante a dinastia Qing, era chamado de Ü-Tsang. A corte Qing autorizou o Dalai Lama a governar o Tibete da Frente e o Panchen Lama a governar o Tibete de Trás, formando um sistema duradouro de divisão religiosa e administrativa.

A região apresenta um terreno diversificado, vales abertos, clima ameno e terra fértil, proporcionando condições ideais para a agricultura e o florescimento da cultura religiosa. O Vale do Rio Lhasa oferece beleza cénica, enquanto numerosas relíquias históricas e mosteiros são símbolos importantes da cultura tibetana.

O Palácio de Potala e o Mosteiro de Tashilhunpo são as sedes do Dalai Lama e do Panchen Lama, respetivamente.

Origem do Nome e História

O conceito de Ü-Tsang está intimamente ligado à história do Império Tibetano. Antes da dinastia Tang, o Planalto do Tibete estava dividido em pequenos reinos e tribos, conhecidos como o “Período dos Pequenos Reinos”. Após a ascensão do Império Tibetano, esses pequenos estados foram unificados, com Lhasa como capital, e foram estabelecidas divisões administrativas em Ü-Tsang, lançando as bases para o conceito posterior da região.

Como resultado, a região do rio Nyangchu, onde viviam os Zangfan, gradualmente tornou-se amplamente conhecida como “Zang” (gtsang). Em tibetano, “Zang” significa rio, referindo-se ao rio Nyangchu (Rio Yarlung Tsangpo). A área central do Império Tibetano, em torno de Shannan e Lhasa, era chamada de “Wei” (adus), que significa “centro” em tibetano. Juntas, essas duas regiões formam Ü-Tsang, que mais tarde passou a ser usado como um termo geral para o Tibete da Frente e o Tibete de Trás.

Durante o Império Tibetano, Songtsen Gampo estabeleceu a governação central em Ü-Tsang e implementou um sistema administrativo para consolidar o controlo sobre o planalto. Essas medidas não apenas fortaleceram a autoridade central, mas também estabeleceram Ü-Tsang como um centro político, cultural e religioso. Administrativamente, ele dividiu Ü-Tsang em quatro “ru”, aproximadamente equivalentes às províncias modernas. Os quatro “ru” formaram o território central do Tibete, enquanto Dokang referia-se às áreas fora de Ü-Tsang, incluindo a maior parte de Qinghai, o Tibete oriental, o oeste de Sichuan e Diqing em Yunnan. “Dokang” combina Amdo (a-mdo, planaltos altos) e Khams (khams, terras fronteiriças).

Nas dinastias Song e Yuan, à medida que o Budismo Tibetano florescia, os tibetanos dividiram a região em três domínios com base no ambiente e nos costumes: Ü-Tsang (domínio religioso), Kham (domínio humano) e Amdo (domínio dos cavalos). Um ditado local diz: “Amdo tem os melhores cavalos, Kham as pessoas mais bonitas, Ü-Tsang a influência religiosa mais forte.” Esta divisão lançou as bases para as três principais regiões tibetanas modernas.

Três Principais Regiões Tibetanas

O Tibete é tradicionalmente dividido em três regiões: Ü-Tsang, Kham e Amdo, cada uma com geografia, cultura e estilos de vida distintos.

Ü-Tsang

Kham

Amdo

Cada região é distinta, mas complementar. Ü-Tsang forma o núcleo da civilização tibetana, enquanto Kham e Amdo enriquecem a diversidade cultural, económica e natural do Tibete.

Mapa do Império Tubo e dos seus Domínios

Diferenças Entre o Tibete da Frente e o Tibete de Trás

Tanto o Tibete da Frente (Ü) quanto o Tibete de Trás (Tsang) foram historicamente parte do antigo Império Tubo (Tibetano).

Tibete da Frente (Região Ü)

Tibete de Trás (Região Tsang)

Conclusão

Ü-Tsang não é apenas um conceito geográfico, mas também um símbolo do património espiritual e cultural tibetano. Dinastias históricas e o Budismo Tibetano deixaram marcas profundas aqui, e as culturas distintas de Ü-Tsang, Kham e Amdo juntas mostram as ricas e diversas características regionais do Tibete.